25 de mar. de 2008

Ler ou não ler... eis os títulos!

É fato que o título é o grande chamariz para levar o usuário a ler ou não um conteúdo. Diante disso, aliado a grande disponibilidade de produtos jornalísticos na web e seus respectivos públicos, analisou-se três títulos dos sites: JB Online, portal Terra e Agência Brasil.

Vejamos:
JB Online - Temporão assume epidemia e anuncia medidas contra dengue

Portal Terra - Ministro: alto índice de dengue deve durar até abril

Agência Brasil - “Índice de incidência de dengue deve continuar alto até o fim de abril, diz ministro”

O título da Agência expressa a função informativa e identificativa. A primeira, por apresentar exatamente elementos do texto que informam o usuário sobre o assunto. A segunda, pois pode servir como matéria principal para nortear sub-tópicos vinculados ao assunto. Portanto, o título claramente divulga a idéia central do texto produzido pelo jornalista, levando em consideração a previsão informada pelo ministro. O jornalista mantém-se cauteloso com a utilização do verbo “deve”.

O portal Terra, por sua vez, com uma linguagem direta, popular e até mesmo apelativa (afirma implicitamente que estamos em ‘epidemia’ – alto índice de dengue – linka o usuário à mensagem) utiliza elementos mais sucintos no titulo. Emprega, por exemplo, os ‘dois pontos’, que no jornal é evitado. Apresenta a função informativa, já que indica ao usuário o conteúdo a ser lido. Também tem como característica a hipertextualidade, levando o leitor a se questionar sobre porque durar até abril e acessar a notícia.

O JB foi o mais ‘agressivo’ ao utilizar o verbo ASSUMIR no título, o que pode colocar em discussão uma possível ‘vista grossa’ do ministério da saúde frente à epidemia até então. Assim, pode igualmente provocar o interesse da leitura e gerar a hipertextualidade, até porque, que medidas são essas tomadas pelo ministro? É ainda identificativa e informativa. Utiliza verbo na voz ativa, item primordial para títulos em jornal e situa o usuário quanto ao conteúdo que terá ao alcance dos olhos.

Sendo assim, penso que a função apelativa conduz à hipertextualidade, e considerar o fato de ter que escolher entre esta ou aquela, ou melhor, oferecer conteúdo rico, ou simplesmente ‘vender’ uma notícia, certamente eu abriria mão da apelativa e manteria a hipertextualidade, visto que a internet é um veículo interativo por natureza, em que o click, é muito bem-vindo.

Portanto, constatou-se que, embora os três tenham exercido a função fundamental do título, que é informar, nem todos lançaram mão da hipertextualidade.

Ana Paula Junqueira
Jefferson Genta

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