12 de set. de 2007

Ex-jogador da Ponte Preta treina jovens em Curitiba

João Maria Gonçalves foi jogador de futebol na juventude, atuou na Portuguesa Santista e na Ponte Preta, ambos times de São Paulo. Quando parou de jogar, exerceu a profissão de caminhoneiro durante anos, até o dia em que um acidente de carro o fez perder a perna direita. Apesar do acidente, João não se afastou do esporte, encontrou outra maneira de se manter dentro dos campos. Atualmente, ele reside em Curitiba e treina mais de 100 meninos em sua comunidade.
Muitos jovens do bairro onde João mora, o Novo Mundo, estavam parando de estudar e se envolvendo em pequenas infrações, então, o ex-jogador resolveu trabalhar como técnico voluntário para tentar preencher o tempo desses meninos e ajudá-los através da prática do esporte. Ele é treinador no Centro de Educação Infantil Nair de Macedo no programa Comunidade Escola.
Além de atuar no programa, João Maria fundou em 2003, a ADESC - Associação Desportiva São Cristóvão, da qual é presidente. A associação, que está com novo mandato a partir desse ano, tem entre seus principais objetivos tirar os jovens das ruas através do esporte. O trabalho dos membros da associação consiste, entre outros, em orientar os adolescentes nos horários em que eles não estão na escola, repassar os alimentos e donativos adquiridos e promover torneios e passeios para que as crianças tenham lazer, afirma a enfermeira Maria de Lourdes da Silva Tedesco, 2ª tesoureira da ADESC.
Na casa de João estão expostos os prêmios que seus alunos já ganharam em campeonatos da comunidade. Os membros da ADESC acreditam que poderão ajudar muitos jovens do bairro, a maioria adolescentes de baixa renda, que muitas vezes acabam partindo para o mundo do crime e das drogas. Porém, de acordo com a 1ª tesoureira, Sandra Mara Costenaro, uma das maiores dificuldades enfrentadas pela associação é a falta de recursos financeiros que os impede de construir uma sede própria para poder atender um número maior de jovens, por enquanto eles trabalham em uma sede improvisada na sala de estar da casa do ex-jogador.
Entre os futuros projetos da ADESC estão construir uma escola de esportes e envolver meninas no projeto. “É através do esporte e educação que a instituição tenta tirá-los deste caminho”, afirma João, que a partir de seu trabalho voluntário, tenta dar exemplo a seus a pequenos jogadores. O esporte foi muito importante na vida dele, continua sendo mesmo depois do acidente e, se depender de sua vontade, um de seus meninos será um futuro atleta do Brasil, “pretendo ver pelo menos um vestindo a camisa verde e amarela”, diz ele.

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