
"Sou o B da Boca- limpa, sou o B do Banho-frio, Sou o B Brincalhão: Trago Bife com Bertalha para um Batalhão!". A frase foi retirada de um livro de autoria de Josué de Castro. Pelo conteúdo, é nítida a preocupação e a abordagem que ele faz a respeito da fome. Morto aos 65 anos em 1973, o recifense tratou de uma questão universal e que sempre existiu. Segundo ele mesmo colocava, a fome não é um mal da explosão demográfica do século XX no mundo, e sim um acontecimento como todos os outros que acompanham o homem.
A principal questão abordado no primeiro mandato do presidente Luís Inácio Lula da Silva foi a fome. Emplacado com o nome de Fome Zero, o programa do partido foi um dos principais alicerces da campanha de Lula, que comoveu grande parte da população brasileira.Josué de Castro, com sua vasta experiência tanto como professor como também de um líder que sofreu exílio até a morte, atentava para o fato de que a pior característica da fome, não era a miséria.
“Mais grave ainda que a fome aguda e total, devido às suas repercussões sociais e econômicas, é o fenômeno da fome crônica ou parcial, que corrói silenciosamente inúmeras populações do mundo”, observa.Ele levou a discussão às mais altas instâncias da política e dos estudos científicos. Sua importância era tanta, que na ocasião de sua morte inúmeros jornais de todo o mundo a noticiaram.
Não se poder deixar de creditar a morte de Josué à ditadura militar brasileira. A ela se deve o seu exílio e também o fato de não ter podido retornar ao Brasil após a sua expulsão. Betinho, um dos grandes intelectuais brasileiros, morto em 1997, disse que “este é um crime político que a ditadura militar tem que debitar na sua imensa conta. A morte dele no exílio”.
Outro grande admirador de Josué era Darcy Ribeiro, reconhecido antropólogo brasileiro. "Josué é uma das pessoas que eu mais admirei. Eu digo mesmo que Josué é o homem mais inteligente e mais brilhante que eu conheci", afirmou Ribeiro.Josué é apenas mais um a sofrer com aquele golpe que deixou marcas no Brasil e que duram até hoje. Porém, mais duradouras que as marcas ruins deixadas por aquele regime, são a bravura e determinação de um homem preocupado com um problema que sempre existiu e nunca vai acabar. Por isso mesmo, como dizia Josué, combater a fome diariamente é uma obrigação de todos.
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