11 de set. de 2007

Fandango - marca da cultura paranaense


A identidade de uma região, além de seu povo, é sua cultura. O Paraná tem como uma de suas maiores manifestações culturais o fandango, no litoral. Mas existe entre os mais idosos mantenedores dessa tradição uma mesma preocupação, que é a da sua continuidade nas próximas gerações. Para isso foram criados em Paranaguá, mais precisamente na Ilha dos Valadares, diversos grupos de fandango caiçara.
O Grupo de Fandango Mestre Romão tem doze anos de existência, e hoje conta com vários jovens com média de idade entre 3 a 19 anos. Muitos deles são netos de mestres de fandango, e outros estão ali simplesmente por acharem importante valorizar a cultura caiçara. Monalisa Costa, 19 anos, dança fandango desde pequena. “Meu avô é mestre de fandango e passou para mim e seus outros netos a tradição. Amo a nossa cultura, acredito que ela tem de ser valorizada, já que nossa cidade é conhecida também pelo fandango”.
Os outros integrantes mais novos acham que os jovens parnanguaras não se importam com a cultura litorânea. Viagens com apresentações do grupo e as novas amizades podem ser atrativos para que passem a se interessar, afirmam.
Eugênio dos Santos, 80 anos, ou mestre Eugênio como é conhecido, diz que o fandango que vem sendo ensinado não passa de “batidas de tamanco”. A dança e a música como eram feitas antigamente na Ilha dos Valadares, como retribuição aos mutirões por um dia de trabalho na lavoura ou construção, não existem mais. Segundo ele, os jovens não se interessam pelo que é da terra e nem as escolas ou governantes se propõem a estimular a continuidade dessa cultura no seu dia a dia e aprendizado. “Não tem mais tocadores de rabeca ou viola. Infelizmente vai morrer junto com a gente”, declara. Mestre Eugênio mantém ao lado da sua residência a Casa do Fandango Carijó, com bailes de fandango todos os sábados a partir das 22 horas.
Matéria e foto - Camilla Lunas

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