3 de set. de 2007

Um tabu perigoso

Os diversos tabus do universo masculino causam sofrimento e muitas vezes podem ser prejudiciais a saúde. Um deles vem gerando campanhas de conscientização, pois se trata de um preconceito que pode ser fatal: a visita ao urologista.
Muitos homens resolvem ir ao médico somente quando sentem alguma dor ou incomodo, porém, a consulta ao médico urologista não deve ser feita exclusivamente com o aparecimento de algum sintoma, um dos maiores problemas de saúde relacionado ao homem, o câncer de próstata, é assintomático em sua fase inicial.
A idade, raça, história familiar e dieta são fatores de risco conhecidos para o câncer de próstata, todavia suas causas ainda são desconhecidas. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) hoje, cerca de 25% dos tumores malignos que afetam os homens são de origem urológica e o câncer de próstata, de acordo com o INCA (Instituto Nacional do Câncer) é o segundo tipo de câncer mais fatal para o sexo masculino, superado apenas pelo de câncer pulmão.
Apesar das grandes chances de cura em sua fase inicial, muitos homens descobrem que possuem este tipo de câncer depois de um estágio já avançado, pois não fazem o exame preventivo. O exame, que deve ser feito em todos os homens a partir de 45 anos, e naqueles que tem fatores de risco a partir dos 40, é feito através de dois procedimentos: o PSA (Antígeno Prostático Especifico), que é um exame de sangue, aliado ao toque retal.
O preconceito e tabu que envolvem o segundo, impedem que muitos homens procurem um médico especialista.
De acordo com o urologista Fábio Pilz, muitos homens não querem se submeter ao exame por razões variadas, entre elas o desconforto em relação a sua masculinidade. Muitos dizem que não têm tempo, alguns temem as seqüelas causadas por um possível tratamento do câncer, e outros, como João*, de 57 anos, que ficou três anos sem fazer o exame, acreditam que não havendo sintomas o exame não é necessário.
Segundo o urologista, alguns homens não se submetem ao exame não pelo procedimento em si, mas, porque temem as conseqüências de um possível câncer. Acreditam que ficarão impotentes após uma cirurgia, então preferem viver sem saber à descobrir e prolongar a vida sem sexo.
De acordo com o residente em urologia Ari Adamy Junior, após a retirada da próstata, a impotência sexual ocorre em até metade dos pacientes, em alguns casos é possível que haja apenas um pouco de perda na ereção. Atualmente, todavia, já existe no mercado remédios que auxiliam o homem a obter uma ereção. Entre os mais conhecidos estão o Viagra® (Citrato de sildenafila) e o Cialis® (Tadalafila), outra opção mais nova é a Vardenafila, que é vendida com os nomes comerciais de Levitra® e Vivanza®, todos eles da mesma família de drogas e com ação semelhante. O médico cirurgião, também fala que o aprimoramento das técnicas cirúrgicas vem mudando a percentagem de impotência sexual após a cirurgia.
Com aumento da expectativa de vida aumenta também o número de casos de câncer de próstata relacionados à idade, por isso a importância do toque retal. A SBU tenta através de projetos e campanhas, libertar os homens desse preconceito, e alertá-los para a prevenção, todos os anos a sociedade promove uma Campanha Nacional de Combate ao Câncer de Próstata.
A divulgação através da mídia e o avanço na medicina, tanto em procedimentos cirúrgicos como em drogas contra a impotência, estão mudando aos poucos o quadro deste exame que é objeto de reserva por parte dos homens. Uma conscientização geral é necessária, dados da SBU sobre o tipo de câncer mais frequente em homens revelam que um caso novo de câncer de próstata é registrado a cada três minutos, e um óbito acontece a cada 24 minutos no país. A incidência de mortes pode diminuir consideravelmente se o preconceito diminuir paralelamente.


Marina Adamy

Links:
http://www.sbu.org.br/
http://www.acampe.com.br/prostata
http://www/.abcdasaude.com.br/
http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/setembro2006/ju337pag09.html

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